
A sífilis, infecção sexualmente transmissível (IST) causada pela bactéria Treponema pallidum, continua sendo um desafio para a saúde pública. Diante deste cenário, a Secretaria de Estado da Saúde (SES), por meio da Diretoria de Vigilância em Saúde, promoveu nesta sexta-feira, 12, uma capacitação sobre vigilância, diagnóstico e manejo adequado de pacientes com sífilis. O treinamento foi direcionado a profissionais de saúde que atuam na Atenção Primária à Saúde (APS), Vigilância Epidemiológica, maternidades e Centros de Testagem e Aconselhamento (CTA).
A sífilis congênita, que ocorre quando há transmissão da infecção da mãe para o bebê, foi um dos principais temas abordados durante a capacitação. Em Sergipe, apesar da disponibilidade de diagnóstico e tratamento eficazes, os casos de transmissão vertical da sífilis ainda permanecem elevados. Por isso, é essencial que os profissionais que atuam diretamente no combate a essa IST estejam devidamente capacitados. Somente neste ano, entre janeiro e junho, o estado já contabilizou 94 episódios de sífilis congênita e 395 casos de sífilis em gestantes. Em 2025, houve 313 casos de sífilis congênita e 1.288 registros da doença em gestantes.
Além disso, o índice de sífilis na população em geral também continua elevado e apresentou aumento de 2024 para 2025 em Sergipe. No ano passado, foram contabilizados 2.186 casos no estado. Já em 2024, este número foi de 1.627 casos. Somente em 2026 foram registrados 899 episódios. Este cenário se deve, principalmente, à alta transmissibilidade da infecção, que ocorre por meio do contato sexual desprotegido, e ao diagnóstico tardio, uma vez que grande parte da população não costuma realizar exames ou testes rápidos para detecção de ISTs de forma rotineira.
A referência técnica da sífilis da SES, Lourdes Lima, explicou que os casos de sífilis congênita ainda são recorrentes, porque a maioria dos parceiros das gestantes não aceita realizar o tratamento, o que leva à reinfecção da mulher e à transmissão vertical da doença. “Com essa capacitação, buscamos que os profissionais se atualizem quanto ao diagnóstico precoce e ao tratamento oportuno da sífilis, especialmente nas gestantes. O nosso foco é prevenir a transmissão vertical, assim como fortalecer a assistência prestada à população. A sífilis, quando tratada, tem cura. Por isso é tão importante que tanto a gestante quanto o parceiro, quando diagnosticados, realizem o tratamento correto para que não haja reinfecção. Precisamos quebrar essa cadeia de transmissão”, pontuou.
Apenas em 2025, das 1.288 gestantes diagnosticadas com sífilis, 720 parceiros não foram tratados. Neste ano, das 395 gestantes com a infecção, 208 parceiros recusaram o tratamento. Por isso é fundamental que as equipes da APS realizem busca ativa destas gestantes e de seus parceiros.
Ainda durante a capacitação, o infectologista e diretor de Vigilância em Saúde da SES, Marco Aurélio, destacou a importância da assistência e do manejo clínico precisos nas maternidades. “A nossa capacitação também tem o intuito de melhorar o cuidado com a gestante e o recém-nascido. Apesar de a gestante diagnosticada com sífilis ter todo um acompanhamento no pré-natal, é fundamental que a maternidade consiga avaliar se essa mulher foi tratada adequadamente ou se precisará de novas doses de medicação. Mesmo após o tratamento, ao chegar à maternidade, ela passa por novo exame e o recém-nascido também é avaliado. Vamos focar nesse tema, entendendo que a sífilis congênita também é uma das causas da mortalidade infantil”, ressaltou.
Para a enfermeira da Atenção Primária à Saúde (APS) do município de Indiaroba, Moara Oliveira, a capacitação é essencial para os profissionais que estão na linha de frente do combate à sífilis. “Esse treinamento faz com que nós, profissionais que atuamos diretamente na área, estejamos capacitados para realizar ações de investigação de forma correta e coerente, de acordo com o que o Ministério da Saúde determina e com o que a população precisa”, frisou.
Sífilis
A sífilis é uma infecção sexualmente transmissível (IST) causada pela bactéria Treponema pallidum e transmitida por meio de relações sexuais sem o uso correto de preservativo. Um dos principais sintomas causados por essa IST são pequenas feridas nos órgãos sexuais, além de manchas nas palmas das mãos e nas plantas dos pés. Para prevenir a infecção, a população deve utilizar preservativos corretamente, realizar o pré-natal de forma adequada e fazer testagens para detecção de ISTs de maneira rotineira. Se o exame apresentar resultado positivo, ambos os parceiros sexuais devem ser tratados corretamente.
O tratamento é feito com aplicações de penicilina, variando entre dose única e esquemas de até seis aplicações, concluídas em três semanas consecutivas. A sífilis é uma doença muitas vezes silenciosa, ou seja, pode não apresentar sintomas visíveis. Por isso, é essencial realizar exames e testagens regularmente. Vale lembrar que todas as Unidades Básicas de Saúde (UBSs) do país oferecem testes rápidos para sífilis de forma gratuita, com resultado disponível em cerca de dez minutos.





